O nome “Bélgica” provêm de Gallia Bélgica, dada pelos Romanos à parte norte da Gália, que Július César conquistou algumas décadas antes da Era Cristã. Baseia-se no nome das tribos ferozes que tinha de submeter na área.

Muitos habitantes do que mais tarde se tornaria a ser a Bélgica desempenharam um papel importante nas Cruzadas, incluindo Godofredo de Bouillon, um dos líderes da Primeira Cruzada e Balduíno de Flandres, o primeiro Rei de Jerusalém.
Na Idade Média, a Bélgica foi dividida em diversos feudos: o Condado de Flandres, na costa, o Ducado de Brabante, o Principado de Liège ao longo do rio Mosa etc. Uma classe comerciante burguêsa desenvolveu-se, principalmente nas cidades portuárias de Brugge e Gent, e rapidamente conquistou independência, de facto dos senhores feudais, e dos reis da França e imperadores alemães, dos quais, teoricamente, dependiam.
Durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), várias batalhas foram travadas no que é hoje a Bélgica, como a de Sluis, onde o Rei francês perdeu sua frota. A área adquiriu a reputação de ser o “campo de batalha da Europa”. As batalhas de Oudenaarde, Malplaquet, Ramillies, Jemappes, Waterloo, Ypres e Bastogne iriam todas ocorrer posteriormente em solo belga.

Durante o final da Idade Média, a Bélgica, Holanda e Luxemburgo de hoje foram unificados nas chamadas “XVII Províncias” e tornaram-se parte das terras originalmente pertencente aos Duques de Borgonha, uma família relacionada aos reis de França. Em seguida, perteceram aos Imperadores Habsburgo e, finalmente aos reis da Espanha.
Nesse período, a escola de pintura flamenga ganhou fama internacional, com mestres como Van Eyck, Brueghel e Memling. Mais tarde, Rubens, Van Dyck e Jordaens iriam transformar Antuérpia em um centro de artes cardeal.
O protestantismo surgiu no século XVI e prevaleceu nas províncias do Norte, que se separaram e tornaram-se independentes. Posteriormente, formaram o Reino dos Países Baixos (Holanda). As províncias do Sul, entretanto, permaneceram sob domínio espanhol católico. Em 1713, tornaram-se parte do Império Austríaco e eram conhecidos como os Países Baixos austríacos, para em seguida ser denominada ‘Bélgica’.
Em 1792, após a Revolução Francesa, a França invadiu os Países Baixos austríacos. Por conseguinte, eles foram anexados e se tornaram parte do Império de Napoleão.

Após a batalha de Waterloo, travada perto de Bruxelas em 1815, os ex-territórios austríacos foram reunidos à Holanda para formarem o Reino Unido dos Paises Baixos. Isto perdurou apenas quinze anos. Em 1830, os Belgas revoltaram-se contra o domínio holandês e tornaram-se independente.
No dia 21 de julho de 1831, Leopoldo de Saxe-Coburgo-Gotha, um príncipe alemão e viúvo da princesa Charlotte, filha do Rei da Inglaterra George IV, tornou-se Rei dos Belgas. Leopoldo tambem era primo do D. Fernado Rei de >Portugal. A Constituição belga limitava fortemente seus poderes.
A segunda metade do século XIX foi um período de desenvolvimento industrial e econômico dinâmico, com base no carvão e no aço na área de Liège, na indústria química e no comércio. A Bélgica classificava-se entre as principais economias do mundo, proporcionando um PIB aproximadamente igual ao dos Estados Unidos na época.
Durante esse período, o segundo Rei dos Belgas, Leopold II, adquiriu privativamente um grande território na África Central, que viria a ser o Congo Belga. É indiscutível que abusos foram cometidos contra a população local naquela época, como foi o caso em outras partes da África (assim como na Ásia e na América) colonizados por outros países europeus. Todavia, não há absolutamente nenhuma provas documentadas de que milhões perderam suas vidas, como alegado por alguns. Em 1908, o Congo tornou-se uma colônia belga e a maioria dos abusos cessou. Historiadores de respeito concordam que, no conjunto, a forma com a qual o Congo Belga foi dirigido poder-se-ia caracterizar como nem melhor nem pior do que as colônias vizinhas governadas por ingleses, franceses, alemães ou portugueses, assim como foi confirmado por jornalistas americanos que visitaram a Africa na época.
Em 1914, o Império alemão invadiu a Bélgica neutra, no intuito de flanquear as defesas do exército francês. Inesperadamente, o Exército belga resistiu e lutou, mantendo desocupado uma pequena parte do território belga ao norte de Ypres, ao lado dos exércitos britânico e francês, até o armistício de 1918. Graças a sua defesa heróica, a Bélgica e seu rei, Albert I, desfrutaram de um enorme prestígio internacional após a guerra.
A parte da Bélgica que foi ocupada sofreu execuções de civis, destruições severas e foi despojado de sua infra-estrutura industrial. Foi salva da fome por remessas de alimentos dos Estados Unidos, que vieram através da Holanda, neutra. Universidades americanas mais tarde ajudaram a reconstruir as universidades belgas que tinham sido incendiadas em 1914.

Em 1940, a Alemanha invadiu novamente a Bélgica neutra, tornando-a um dos poucos países europeus a terem sido ocupados duas vezes em um século. Desta vez, o exército belga teve que se render depois de cerca de duas semanas, assim como o fez o exército francês algumas semanas depois. O governo eleito foi para o exílio em Londres. De lá, apoiou a resistência interna, colocou os amplos recursos do Congo belga à disposição dos Aliados e organizou unidades belga dentro das Forças Armadas britânicas. Muitos Belgas escaparam da Bélgica ocupada para se alistar como voluntarios nestas unidades.
Durante os quatro anos de ocupação, o comportamento da população foi semelhante ao dos outros países ocupados, a Holanda, França, Noruega e Dinamarca: a maior parte da população lutava para sobreviver.
Alguns belgas colaboraram economicamente com os ocupantes nazistas. Outros juntaram-se aos Waffen SS e lutaram na Rússia ou se tornaram membros das forças policiais criadas pelos alemães para ajudá-los. A maioria dos municípios e polícias recusou-se a ajudar os alemães a juntarem os judeus, embora alguns o fizeram.
Após a guerra, 87.000 pessoas foram acusadas de traição, crimes de guerra, ou de ter ajudado o inimigo de alguma forma. Dentre estes julgados culpados, cerca de 4.000 receberam penas de morte, dos quais 241 foram efetivamente executadas.
Dezenas de milhares de outras belgas resistiram à ocupação nazista com armas, sabotagem, escondendo judeus, espionando a favor dos Aliados ou através da criação de rotas de fuga para os pilotos aliados que tinham sido abatidos. Cerca de 17.000 combatentes da Resistência belga foram executadas ou morreram na prisão de Fort Breendonk fora de Bruxelas, em presídios ou ainda em campos de concentração na Alemanha, notadamente Dachau. Aproximadamente 27.000 sobreviveram aos campos de detenção. Alguns dos combatentes da resistência já haviam se oposto à primeira ocupação, vinte anos antes.
Segundo dados oficiais, cerca da metade dos judeus que encontravam-se na Bélgica em 1940, independentemente de serem de nacionalidade belga ou refugiados de outros países, sobreviveu ao Holocausto, quer pela fuga para o exterior ou por terem sido escondidos por não-judeus. Dos 25.267 judeus enviados para Auschwitz ou outros campos, apenas 1.207 sobreviveram. Yad Vashem, a instituição oficial israelense que estuda o Holocausto, reconheceu cerca de 1.500 Justos entre as Nações belgas, entre eles a Rainha Elisabeth, avó do Rei Albert II.
A ação oportuna pela Resistência belga impediu que o exército alemão em retirada destruísse o porto de Antuérpia. O porto foi aproveitado pelos Aliados, encurtando assim as linhas de abastecimento que até então tinham que usar os portos artificiais na Normandia. A retomada da Antuérpia foi o principal objetivo da ofensiva alemã nas Ardenas, em Dezembro de 1944.

Nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, e em grande parte inspirado pelo desejo de ver um fim às guerras recorrentes entre seus vizinhos, que foram muitas vezes combatidos em seu solo, a Bélgica tornou-se um dos pioneiros na unificação européia.
Bruxelas é a sede da maioria das instituições européias. Desde 1967, a capital belga abriga igualmente a sede da NATO, da qual a Bélgica é um membro fundador e para a qual contribuiu a maior parte de seu força militar durante a Guerra Fria.

Em 1960, foi concedida a independência ao Congo Belga e dois anos depois, ao Ruanda e Burundi, que foram territórios mandato da ONU. Tanto o governo e a população da Bélgica mantêm um forte interesse na África Central, que recebe a maior parte da ajuda ao desenvolvimento belga.
Há já alguns anos, a ajuda belga aos países mais pobres foi progressivamente aumentada para 0,7% do seu PIB, um dos poucos países a chegar a esse percentual.
A política interna belga é dominada pela oposição duradoura entre a comunidade flamenga do norte e a comunidade valona ( de fala francesa) do sul do pais. Fatores históricos, culturais e econômicos alimentam esta polêmica. No entanto, disposições constitucionais criativas têm sido desenvolvidas ao longo dos anos, dando às duas comunidades um elevado grau de autonomia, sem que occorra qualquer tipo de violencia. Várias reformas constitucionais que transformaram a Bélgica em um estado federal foram introduzidas nos anos setenta e oitenta do século passado.
A economia do país situa-se atualmente entre os 15 maiores PIBs do mundo e é amplamente baseado nas indústrias mecânica e química e no comércio. O porto de Antuérpia é um dos dez maiores do mundo e é o segundo da Europa.
A Bélgica tem uma população de aproximadamente 10,5 milhões. Segundo dados das Nações Unidas que levam em conta a expectativa de vida, acesso à medicina, educação, habitação, etc, a Bélgica possui um dos mais altos padrões de vida no mundo.
É um fato conhecido de que levam sua culinária muito a sério, e de que suas cervejas e chocolates são inigualáveis.
Diversos artistas e escritores belgas contemporâneos contribuíram à cultura ocidental. No final do século XIX, o poeta flamengo Emile Verhaeren e o escritor Maurice Maeterlinck escreveram em francês, enquanto colegas românticos tais como Hendrik Conscience, Paul Van Ostayen, Ernest Claes, Felix Timmermans, Jan Frans Willems e Herman Teirlinck escolheram usar o holandês como o fez o delicado poeta Padre Guido Gezelle no dialeto local de Brugge. O pintor James Ensor trabalhou em Ostende e recriou cenas folclóricas das ruas da Bélgica.
As criações musculares do escultor Constantin Meunier evocam os esforços físicos da classe operária. Os arquitetos Horta e Van de Velde estavam entre os prodígios mais importantes da escola do Art Nouveau e vários de seus edifícios enfeitam ruas em Bruxelas.
A invenção de Adolphe Sax, o saxofone, é hoje uma peça imperativa em qualquer banda de jazz. No século XX, a criação do cartunista Hergé de Tintim tornou-se o representante mais proeminente da célebre escola internacional belga de tiras, ao passo que os Smurfs, Lucky Luke, Spirou, Suske e Wiske também atingiram uma certa fama.
O escritor flamengo Hugo Claus, recentemente falecido, ainda viveu para testemunhar sua obra "Het Verdriet van België" ser traduzida para vários idiomas.
As canções sensíveis de Jacques Brel e as obras literárias de Georges Simenon também alcançaram a fama muito além das fronteiras, assim como a escola de moda da Antuérpia e os dançarinos do Ballet du Vingtième Siècle de Béjart e Rosas de Anna Teresa De Keersmaeker.
Pintores surrealistas tais como Paul Delvaux e René Magritte ganharam fama internacional. O realizador André Delvaux, conhecido como "o padrinho da indústria cinematográfica da Bélgica", colocou o nosso país no mapa do cinema internacional.

A contribuição da Bélgica para a tecnologia sempre foi importante. No século XIX, o dínamo foi inventado em Liège e a invenção do químico Ernest Solvay possibilitou a produção em massa do aço.
Nada menos que 11 prêmios Nobel foram conquistados por belgas. Esportes tais como tênis, bicicleta, motocross e futebol são amplamente praticados e muitos esportistas belgas têm alcançado rankings superiores.
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